Dos espaços dos sentires: a ansiedade
Pensemos em nós como casas. Com diversas divisões interiores. Algumas impecavelmente arrumadas. Outras com pó, tão poucas vezes as visitamos. Algumas que nos provocam arrepios só de passar à porta, que nem ousamos abrir. Outras caóticas. Algumas vazias. Outras demasiado cheias. Tendencialmente recebemos os outros na mais arrumada. Mais pronta a consumo, interno e externo. Agradável. Ordenada. Tendencialmente também evitamos aquelas que pelo caos, desorganização, memórias ou vazio nos incomodam.
Na BioMente acreditamos que todos os espaços fazem parte de nós. Que todos os espaços são importantes. Que todos ajudam a contar uma história, a nossa história. Por isso criamos esta coleção para falarmos de espaços interiores como se de divisões de uma casa se tratassem.

E se... a ansiedade fosse um quarto?
Um quarto sem porta que feche por completo, mas nunca totalmente aberta. Não há grades, não estamos presos, mas também não descansamos — está-se sempre de pé, à escuta do que ainda não aconteceu. Os móveis parecem prestes a cair, mesmo quando estão bem seguros. Algo dentro de nós diz que vão cair, mesmo que nunca tenham caído. A luz nunca apaga de vez, porque apagar seria confiar que nada vai acontecer no escuro. A nossa fé rema em sentido contrário: algo de mau vai acontecer. Não são as paredes que prendem. É não conseguir sair da vigília.
A ansiedade é como ter um alarme avariado que não desliga.
No nosso cérebro, bem lá no centro, existe uma estrutura em forma de amêndoa chamada amígdala. A função da amígdala é detetar ameaças e acionar um alarme que por sua vez faz acelerar o coração, tensionar os músculos, aguçar os sentidos. Ficamos hipervigilantes, prontos para reagir. É um mecanismo de sobrevivência antigo e eficaz. O problema é quando o sistema de alarme avaria. Na ansiedade esse alarme dispara sem que haja ameaça real. Ou dispara demasiado cedo ou demasiado alto. E dispara demasiadas vezes. Nada acontece; é sempre falso alarme. O problema é que o cérebro fica preso num estado de antecipação permanente — a processar perigos que ainda não aconteceram ou que nunca vão acontecer. O corpo responde como se o perigo fosse real; como se o incerto tornar-se inevitável.
Na BioMente sabemos o quanto debilitante pode ser a ansiedade. Sabemos também que para muitas pessoas é uma companheira silenciosa de anos — presente no trabalho, nas relações, no momento antes de adormecer e imediatamente após acordar. Normalizada, ignorada por vergonha, ou simplesmente desconhecida pelo nome que tem.
Mas a ansiedade tem tratamento. E não tem de ser assim para sempre. Com a abordagem certa — e há várias, dependendo de cada pessoa — é possível aprender a reconhecer o alarme, perceber o que o dispara e, progressivamente, ensiná-lo a calibrar-se. Não se trata de eliminar a ansiedade, porque alguma dela é necessária e saudável. Trata-se de deixar de ser controlado por ela.
Se te reconheceste neste quarto, fala connosco.
